O volante de um F1 já deixou de ser um simples instrumento de controlo da direcção.
Em 1992, o volante era redondo com uma placa metálica central para acoplagem à coluna de direcção e 3 botões para o neutral, fornecimento de água e rádio.
O volante do Ferrari 412T2 em 1994 (imagem à esquerda) ainda era bastante simples e apenas tinha meia dúzia de botões.
Ao longo dos anos foram sendo incorporados um conjunto de funções que o tornaram numa mini-consola de comandos.
A complexidade actual é tal que alguns pilotos já cometeram erros durante a corrida por premirem o botão errado.
"Tive que deixar o Alonso passar quando ao tirar o protector da viseira pressionei acidentalmente o botão do limitador de velocidade." disse Kovaleinen após o GP da Austrália em 2008.
Do precioso limitador de velocidade no pit lane à regulação da mistura ar-combustível, passando pelas mudanças, tudo é agora feito no volante.
Com o advento dos sistemas electrónicos na F1, a década de 90 introduziu enormes alterações, tendo o engenheiro da McLaren, John Barnard, sido o primeiro a fornecer a Nigel Mansell um sistema de mudanças no volante. A alavanca da esquerda baixava a caixa e a da direita, subia.
Mais tarde, o pedal da embraiagem desapareceria e a travagem passaria a ser feita com o pé esquerdo.
O mapeamento do motor, controlo de tracção (banido em 2008) e um conjunto de programas informáticos de regulação e análise que optimizam as performances, requerem um conjunto vasto de botões para permitirem ao piloto o setup e afinação de vários parâmetros funcionais.
Outra das actuais funções consiste num botão que permite ao piloto colocar o motor em estado neutron durante uma paragem no pitstop ou na sequência de um despiste, caso fique preso na gravilha, mantendo assim o motor a funcionar.
As equipas têm um engenheiro responsável pela electrónica e design desta complexa peça. A zona onde as mãos agarram o volante é forrada por uma borracha anatomicamente desenhada para providenciar um “grip” adicional ao piloto. O restante material é basicamente feito em fibra de carbono.
A fabricação é um processo complexo, recorrendo a materiais ultraleves como a citada fibra de carbono, borracha com alumínio, titânio, aço e plástico. A produção de uma unidade pode levar cerca de 100 horas.
Com um controlo de cerca de 12 parâmetros do carro, em media, existe um conjunto enorme de botões e interruptores que tem que ser montados durante a fabricação, num processo que envolve cerca de 120 itens no total.
Uma vez finalizado, o volante não excede o 1,3 kg.
Durante uma época, são construídos pelo menos cinco volantes para os dois pilotos. Três ficam com os pilotos e dois na equipa de testes. Adicionalmente, mais dois são produzidos para os pilotos de testes. Apesar dos custos de cada volante, algumas equipas retiram o mesmo após uma corrida vencedora e colocam-no junto aos outros troféus conquistados.
Os regulamentos da FIA impõem a rápida retirada do volante e para tal foi criado um mecanismo de patilha instalado na parte de trás do mesmo e que permite a sua remoção rápida.
A F1 recorre a um manancial enorme de tecnologia. Os volantes, tal como muitos outros componentes acabaram por também reflectir esse vastissímo contributo dado pela informática.
Informação adicional:
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