Quando olhamos um Ferrari, visualizamos no aileron traseiro o logótipo da AMD e se observarmos de perto, também o encontramos logo acima do volante, assim como no capacete e roupa dos pilotos e dos analistas informáticos, nas paredes do pitlane e na zona da telemetria.
Para a maioria isso significa apenas que a AMD está a colocar a sua publicidade, mas não é bem assim.
Na realidade, desde 2002 a AMD fornece toda a infra-estrutura tecnológica para o sistema de telemetria dos carros, que recolhe dados em tempo real e envia para a equipa durante as corridas, para que esta possa analisar, também em tempo real, a existência de problemas e informar os pilotos sobre correcções que possam ser efectuadas para rectificar e melhorar o desempenho da máquina.
“Durante as corridas e testes, a informática permite-nos uma melhor comunicação com os engenheiros no sentido de melhorar o desempenho do carro. O que adoramos na AMD, é que tal como a Ferrari, têm uma paixão pelo desempenho, um espírito competitivo e um compromisso determinado em serem os melhores.” Michael Schumacher (ex-piloto da Ferrari).
As regras da FIA impedem o envio de informações electrónicas para os carros. Assim, o sistema de telemetria é unidireccional, recebendo apenas os dados dos carros para os boxes. Aí, os engenheiros analisam os dados em tempo real e verificaram se algum problema está a impedir uma melhor performance por parte do carro ou do piloto, podendo informar este último sobre como e onde melhorar a sua forma de conduzir. Os dados são também enviados à sede da Ferrari em Maranello, onde se encontra uma equipa inteira dedicada a analisá-los.
No Ferrari Data Center, departamento tecnológico construído em conjunto com a AMD, em Maranello, os dados recolhidos durante a corrida são também usados após esta, para diversas análises, incluindo simulações.
Nestas instalações, dedicadas ao desenvolvimento e aerodinâmica, funciona um super computador integrado com base na arquitectura Direct Connect dos processadores AMD64 Opteron, tirando o máximo partido do software CFD (Computational Fluid Dynamics) da Fluent, largamente usado na F1 e indústria automóvel, em testes aerodinâmicos.
“Os computadores já foram considerados um luxo, usados pelas equipas de topo. Tornaram-se uma ferramenta obrigatória da qual dependemos para competir neste desporto.” diz António Calabrese (IT manager da Ferrari).
Num mundo onde cada milissegundo conta, os computadores são uma ferramenta essencial para ajudar a aumentar o desempenho do carro e melhorar os tempos obtidos. São também críticos na previsão e prevenção de acidentes participando activamente no factor segurança.
Cada carro tem entre 100 a 150 sensores. O número não é fixo pois são colocados ou retirados sensores de acordo com a pista. Além disso, entre as sessões de treino e a corrida oficial, podem remover-se alguns sensores desnecessários, com o objectivo de diminuir o peso.
Os dados enviados do carro para as boxes percorrem entre 1000 a 2000 canais de telemetria, com transmissão sem fio (wireless) na faixa dos 1,5 GHz. Esses canais são criptografados com chaves próprias, ficando assim protegidos contra eventuais usos alheios.
O atraso típico entre os dados serem recolhidos e a sua recepção nas boxes é da ordem de 2 micro segundos.
Em cada corrida são recolhidos perto de 1,5 biliões de amostras. Como também se recolhem dados durante os treinos, o total pode atingir facilmente os 5 biliões.
Porém cada carro tem um sistema completamente independente de recolha e processamento e a existência de dois carros gera, na realidade, um volume de dados recolhidos duas vezes maior.
Cada carro possui ainda um sistema de armazenamento de dados integrado que guarda os dados mais recentes. Caso ocorra algum problema na sua transmissão, o sistema tenta o reenvio dos dados até que a transmissão se complete.
Nenhum dado é perdido quando o carro entra num túnel, pois durante a momentânea interrupção da comunicação, o sistema continua a recolha de dados e armazena-os. Logo que esta se restabelece, os dados armazenados são enviados de uma vez às boxes.
Conduzir um Fórmula 1 nos dias de hoje é totalmente diferente do que era há uns anos atrás. Se por um lado as ajudas electrónicas facilitaram a sua condução, o aumento de tecnologia criou um complexo sistema que agora urge gerir. Um excelente exemplo disso é o actual volante.
Numa era onde a tecnologia nos acompanha desde o berço e partilha o quotidiano connosco, apesar de tudo não é tão difícil assim um jovem piloto adaptar-se a esta panóplia de comandos e funções.
Por alguma razão, eles são os melhores do mundo!
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